Quanto tempo do dia de uma criança já é mediado por tecnologia – e371s01
Neste episódio 371 falamos de quanto tempo do dia de uma criança já é mediado por tecnologia.
Episódio de 5/06/2026
Grupo de WhatsApp: https://w.marketingporidiotas.pt
[FRED]
Ecrãs para baixo, olhos para cima
Numa altura em que tantas escolas discutem como integrar mais tecnologia, e em que até o Conselho Nacional de Educação em Portugal, aprovou novas diretrizes para o uso da IA no ensino básico e superior, começa também a ganhar força uma pergunta mais desconfortável: e se o verdadeiro avanço, em certas idades, for precisamente usar menos?
Nos Estados Unidos, a presidente da American Federation of Teachers, Randi Weingarten, veio defender aquilo que, para muitos, soa quase a heresia tecnológica: nada de ecrãs para crianças até ao 2.º ano e nada de chatbots de IA no ensino básico.
A lógica é simples: as crianças, diz ela, “estão a afogar-se em tecnologia”, e a aprendizagem inicial deve privilegiar relação humana, trabalho manual, atenção, linguagem, pensamento crítico e interação real.
À primeira vista, alguém pode pensar: “isto é um debate americano”. Mas não é.
Em Portugal, o tema entra por outra porta. No Dia da Criança soubemos que o país tem hoje 1 milhão e 58 mil crianças com menos de 12 anos e que, em 50 anos, passou de segundo Estado-membro com maior proporção de crianças para quarto país da União Europeia com menos crianças.
As crianças que existem passam muitas horas em creches, pré-escolar e escola.
E isto não significa que a escola seja um problema. Significa antes que a escola tem hoje um peso enorme na forma como a infância é vivida e, por isso, também uma responsabilidade especial na forma como gere a relação com a tecnologia.
É aqui que os dois temas se cruzam.
Se uma parte importante da infância já acontece fora de casa – e se, em casa, também há televisão, telemóveis e adultos constantemente agarrados ao ecrã então a pergnta poderá ser: quanto tempo do dia de uma criança já está, no fundo, a ser mediado por interfaces?
Estaremos a discutir demasiado “como introduzir IA na escola” e demasiado pouco “o que não deve ser substituído por tecnologia em certas fases da infância”?
E há uma segunda camada que também me parece importante.
Muitas vezes, quando se fala de tempo de ecrã, olha-se apenas para o dispositivo que a criança tem na mão.
Mas no artigo do NYT – “Schools to Curb A.I. Chatbots and Screen Time” é feita a referência em como a criança não aprende só com o telefone ou tablet. Aprende também a observar os adultos, a forma como vivem, a rapidez com que pegam no telefone e a dificuldade crescente em estar simplesmente presentes.
Perguntas:
Será que o problema já não é apenas o tempo de ecrã da criança, mas o ecossistema de distração permanente em que a estamos a educar?
Que tipo de relação com a tecnologia estamos a ensinar desde cedo – e que tipo de infância queremos proteger enquanto o fazemos?
Teachers Union Urges Schools to Curb A.I. Chatbots and Screen Time – The New York Times
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
