Meta a ultrapassar a Google em publicidade, o mundo zero cliques e a caixa negra da IA – e360s01
Neste programa falamos sobre a Meta a ultrapassar a Google em receita publicitária, o novo mundo zero cliques e a caixa negra da IA.
Episódio de 30/04/2026
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MIGUEL
Este ano pela primeira vez preve-se que a meta ultrapasse a google em receitas de investimento publicitário.
É um daqueles fenómenos naturais que só vemos de 22 em 22 anos…recorde-se que o Facebook foi lançado no dia 4 de fevereiro de 2004…
E porque eu digo que este fenómeno só acontece de 22 em 22 anos…?
Porque todas os alarmes devem estar prestes a disparar na google para o ano vamos começar a ver publicidade no Gemini…100% integrada no google ads e esse movimento a meta não vai conseguir replicar com facilidade.
Mas vamos aos números…
- Meta: cerca de 243,46 mil milhões de dólares em receitas publicitárias.
- Google: cerca de 239,54 mil milhões de dólares.
- Amazon: 82,07 mil milhões de dólares (~9% do mercado)
Quotas Globais
- Meta Platforms: 26,8%
- Google: 26,4%
- Amazon: ~9%
Mercado publicitário global (WARC)
- O investimento global em publicidade deverá crescer 10,4%, atingindo cerca de 1,32 biliões de dólares.
Risco geopolítico (guerra do Irão)
- A crise energética associada ao conflito pode:
- Reduzir cerca de 50 mil milhões $ em 2026
- E mais ~44 mil milhões $ em 2027
- No total, isso representa quase 100 mil milhões $ de crescimento perdido em dois anos
Pergunta para os meus colegas de painel:
- Será apenas um eclipse passageiro e a google vai dominar o mercado publicitário nos próximos 22 anos ou isto é uma tendência real e a publicidade está a fugir para as redes sociais?
DIOGO
O que podem fazer os marketers num mundo zero cliques
Então esta semana venho vos falar sobre SEO mas não vos venho falar sobre SEO.
Mas passo a explicar. Como todos temos vindo a observar e a falar aqui no podcast cada vez mais o modo como as pessoas navegam na internet tem estado a alterar especialmente com o impacto da IA.
E tem se vindo a formar esta ideia de estarmos a caminhar para um mundo clique zero. Mas antes de avançar, vamos definir o que quero dizer com mundo zero clique e para isso temos o nosso formador de serviço, Frederico Carvalho e digo já que vou introduzir um pianinho por trás:
Quando o Diogo fala de um mundo zero clique, ele refere-se ao facto dos motores de pesquisa como a Google, conseguirem hoje em dia responder a muitas das pesquisas de informação diretamente no motor de pesquisa ou mesmo no sistema de IA generativa como ChatGPT.
Ou seja, o utilizador deixa de ter de entrar num website para conseguir responder à sua questão conseguindo uma resposta sem ter de clicar mais.
Obrigado Fred, não conseguiria explicar melhor.
Então isto é algo que tem vindo a assustar especialmente os negócios baseados em conteúdos de informação. Por exemplo, quando analisado 15 websites de notícias de um grupo de media publishers, é possível ver o impacto desde o lançamento dos resumos por IA, os chamados AI overviews, que o grupo perdeu 42% do tráfego para os seus sites (o link como sempre estará em marketing por idiotas .pt) . Mais uma vez porque as respostas são dadas diretamente no motor de pesquisa o utilizador deixa de entrar no site.
Mas gente, esta análise foi feita apenas até dezembro do ano passado. E o que aconteceu desde então é que, segundo a Brightedge, os AI overview cresceram 52% em relação ao ano anterior. Ou seja, continua a haver uma expansão desde resumos por IA para mais pesquisas. E porque isso não é suficiente, a Google lançou a semana passada, uma nova forma de interações no modo de IA, outro modo introduzido no motor de pesquisa mais usado do mundo, que abre os sites dentro do sistema de IA, ou seja, o utilizador clica para ver o site mas continua no Google Ai Mode e consegue navegar por todo o site dentro deste modo de chat da Google.
Então um especialista de SEO muito conhecido, Cyrus Shepard, foi analisar 400 websites para perceber o quais os sites que, mesmo neste mundo com resumos por IA, estão na verdade a conseguir aumentar o seu tráfego vindo da Google neste novo mundo e tentar perceber como conseguem fazer e eis o que ele encontrou:
Ele descobriu que há 5 características que obtêm uma elevada correlação com mais tráfego ao websitE:
- Oferece um Produto ou Serviço – 0,391
budgetbytes.com assemelha-se a outros sites de receitas, mas oferece um serviço de plano de refeições por assinatura.
mathnasium.com é um site de tutoria de matemática que oferece aulas online e presenciais.
- Permite a conclusão de tarefas – 0,381 (o utilizador pode começar a pesquisa mas tem de entrar para terminar uma tarefa)
mathisfun.com – é um site de tutoriais de matemática que oferece ferramentas interativas, quizzes e cadernos de exercícios, oferecendo aos utilizadores uma forma de praticar matemática e não só resolver o problema.
- Ativos Proprietários – 0,357 (possui algo que outros sites não conseguem replicar facilmente.)
letterboxd.com – Site popular e em rápido crescimento que usa dados de sua grande base de usuários para representar a popularidade dos filmes.
- Hiper Foco Num Tema – 0,250
minecraft.wiki – Tipo a Wikipédia, exceto que só para Minecraft. Muito focado.
- Strong Brand – 0,206
zoom.com – Visibilidade de marca extremamente alta e muito tráfego de consultas de navegação
A minha questão para vocÊs é, que mais vocês aconselham a aos nossos ouvintes negócios para não serem prejudicados neste mundo zero cliques?
BREAKING! News Thrives in the Age of AI – Define Media Group
Google AI Overviews Surges Across 9 Industries
5 Data-Backed Features Of Websites Winning Google in 2026
Update: AI Overviews Reduce Clicks by 58%
FRED
Quando se fala de Inteligência Artificial, a larga maioria das pessoas assume que, se o sistema responde com confiança, também percebe o que está a fazer.
O problema é que ainda não sabemos, verdadeiramente, como o sistema chega às respostas – e os estudos existentes não clarificam esse ponto.
O New York Times, trás dois bons artigos sobre o tema:
– The Shift How Do You Measure an A.I. Boom?
– We Don’t Really Know How A.I. Works. That’s a Problem.
Em resumo, habituámo-nos a pensar na tecnologia como algo que, mesmo sendo complexo, podia ser explicado.
Havia código, regras, lógica.
Alguém podia abrir o capô e dizer: «é isto que está aqui a acontecer».
Com os modelos mais avançados de IA, a conversa já não é bem essa.
O sistema funciona, reconhece padrões, produz respostas úteis, surpreende, impressiona – mas muitas vezes nem os próprios criadores conseguem explicar com clareza porque chegou àquela conclusão e não a outra.
É a famosa caixa negra.
Imagine-se uma IA a ajudar num diagnóstico médico.
Ou a classificar risco de fraude.
Ou a apoiar decisões em recrutamento, crédito ou segurança.
Se a resposta estiver errada, não basta ouvir “foi o modelo”.
Isso pode servir numa demo.
Numa empresa, num hospital ou numa decisão séria, já serve bastante menos.
O próprio debate atual em torno da interoperabilidade – a tentativa de perceber o que se passa dentro destes sistemas — nasce exatamente daqui:
se a IA vai estar no centro da economia, da ciência e de decisões com impacto real, confiar sem perceber torna-se um luxo perigoso.
O que torna tudo isto ainda mais desconfortável é a velocidade a que estamos a escalar a aposta.
Segundo dados agregados pela Epoch AI e visualizados esta semana pela Visual Capitalist, Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e Oracle terão gasto em conjunto cerca de 448,3 mil milhões de dólares em 2025 em propriedade, instalações, equipamento e infraestrutura associada à vaga de IA.
Há situações em que o modelo parece identificar padrões ou relações que os humanos ainda não tinham conseguido ver — e isso é, genuinamente, uma capacidade nova. Mas o mercado está a vender IA como sinónimo de competência, muito antes de resolver a questão da explicação.
Não por acaso, a Gartner alertou que, até 2028, 25% das aplicações empresariais de IA generativa poderão enfrentar pelo menos cinco incidentes menores de segurança por ano — precisamente porque a adoção está a acelerar mais depressa do que a maturidade dos controlos.
No fundo, a corrida à IA não é só uma corrida à performance. É também uma corrida à confiança. E confiança sem explicação é, no máximo, fé com bom marketing.
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
