No episódio 337 falamos sobre o que é o UGC, como os marketers o podem explorar e de influencers com Ana Martins.
Episódio de 21/01/2026
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Resumo por IA
Neste episódio do podcast “Marketing por Idiotas”, o anfitrião Diogo Abrantes da Silva recebe Ana Martins para uma conversa focada num dos fenómenos mais marcantes do marketing digital atual: o UGC (User-Generated Content), ou Conteúdo Gerado por Utilizadores. O debate explora a definição, a evolução e as implicações éticas deste tipo de conteúdo, questionando a fronteira entre autenticidade e publicidade paga.
O que é o UGC e a sua Evolução no Marketing Digital
Diogo Abrantes da Silva define UGC como qualquer conteúdo (fotos, vídeos, textos, avaliações) criado e partilhado por utilizadores sobre uma marca, produto ou serviço, em vez de ser pela própria empresa. Tradicionalmente, este conteúdo era valorizado pela sua autenticidade e capacidade de gerar confiança e prova social.
No entanto, a conversa rapidamente se foca na transformação do UGC: o que antes era um ato espontâneo de um cliente satisfeito, evoluiu para um mercado profissionalizado. Exemplos como o do “Manel” (um nome fictício para um criador de UGC) mostram que muitos destes vídeos “autênticos” são, na verdade, encomendados e pagos por marcas, com criadores a venderem os seus serviços em plataformas como o Fiverr.
A Ténue Linha entre UGC, Influencers e Publicidade Tradicional
Ana Martins argumenta que, embora a forma seja diferente, a raiz do UGC pago não é muito distinta do marketing de influência ou da publicidade com figuras públicas. Em todos os casos, há uma transação financeira por trás da promoção.
- O Fator “Penetra”: Nas redes sociais, as marcas são vistas como “penetras”. Por isso, a comunicação ideal é feita através de pessoas.
- A Confusão da Autenticidade: Ana aponta que a grande diferença — e o grande perigo ético — é a confusão que o UGC pago gera. Enquanto se espera que um anúncio de televisão ou uma publicação de um grande influenciador sejam pagos, o UGC de um “Manel” cria a ilusão de ser um feedback genuíno de um consumidor comum, o que pode levar a um sentimento de engano quando se descobre a verdade.
- A Saturação do Mercado: À medida que os preços do marketing de influência subiram, as marcas procuraram alternativas mais baratas, encontrando no UGC uma solução escalável e acessível. Para Ana, este movimento é uma evolução natural do mercado, onde a atenção do consumidor é o bem mais precioso.
As Duas Faces do UGC: Oportunidade e Risco
O episódio explora as vantagens e desvantagens de recorrer a este tipo de conteúdo:
Vantagens:
- Inclusão e Diversidade: Plataformas como a da Wells, que usam um carrossel de UGC, permitem mostrar produtos a serem usados por pessoas de diferentes corpos e tons de pele, algo que seria logística e financeiramente mais complexo de fazer com campanhas tradicionais. Isto pode ajudar os consumidores a identificarem-se mais com o produto e até a reduzir devoluções.
- Prova Social Escalável: Ter dezenas de “Manéis” a falar de um produto cria uma perceção de popularidade e validação que pode ser mais eficaz do que um único grande influenciador.
Desvantagens e Desafios Éticos:
- A Erosão da Confiança: O principal risco é a perda de confiança. Ana adverte que, quando o público se apercebe que a “autenticidade” é fabricada, o “castelo de cartas” desmorona-se. A longo prazo, a fatura desta falta de transparência pode ser paga pela própria marca.
- A Teatralidade e o Ridículo: Muitas vezes, para captar a atenção, os criadores de UGC recorrem a um entusiasmo exagerado e a narrativas teatrais que podem roçar o ridículo, afastando um público mais cético. A linha entre entretenimento e engano é muito ténue.
O Futuro do UGC e o Papel da Inteligência Artificial
Diogo e Ana também discutem o impacto da IA neste ecossistema. Um exemplo de um anúncio de uma plataforma vibratória, gerado inteiramente por IA (com uma pessoa e voz sintéticas), levanta a questão: se a autenticidade já é questionável com humanos pagos, o que acontece quando nem o humano é real?
Ana acredita que, embora a tecnologia seja fascinante, ela apenas amplifica o problema da confiança. Se as marcas continuarem a procurar atalhos para a autenticidade, em vez de construírem relações genuínas, o público tornar-se-á cada vez mais polarizado e cético em relação a tudo o que vê online.
Conclusão: Dois Tipos de UGC em Campeonatos Diferentes
A conversa conclui que existem dois “campeonatos” de UGC a operar em paralelo:
- O UGC de Posicionamento (Grandes Influenciadores): O seu valor está na associação da marca aos valores e ao alcance do influenciador.
- O UGC de Prova Social (os “Manéis”): O seu valor está na escala e na criação de uma perceção de validação por “pessoas reais”.
Para Ana, ambos são válidos como ferramentas de marketing, mas o grande desafio para as marcas será navegar a questão da transparência. O futuro, segundo ela, pertence às marcas que conseguirem equilibrar estas estratégias sem perderem a confiança do seu público, porque no final, a autenticidade, mesmo que difícil de alcançar, continua a ser a moeda mais valiosa.
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
