IA passiva ou ativa, OpenAI revelou as conversas no ChatGPT e o que marketers podem fazer – e346s01
No episódio 346 falamos sobre IA passiva ou ativa, a OpenAI revelou as conversas no ChatGPT e o que marketers podem fazer.
Episódio de 26/02/2026
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DIOGO
A OpenAI revelou o que andam as pessoas a conversar no ChatGPT e o que é que os marketers podem fazer com essa informação?
Contexto
Vamos aos dados, então, de acordo com a informação mais recente do relatório “OpenAI Signals”, onde a empresa que detém o ChatGPT analisou tendências de utilização até final de 2025, podemos ver que houve uma inversão clara no padrão de uso da plataforma.
Enquanto em meados de 2024 a utilização estava equilibrada, os gráficos mostram que, atualmente, cerca de 70% das mensagens enviadas no ChatGPT estão relacionadas com temas pessoais, contra apenas 30% focados em tarefas profissionais.
Os dados revelam que, no contexto de trabalho, a categoria “Ajuda Técnica” (como programação) é rainha, representando cerca de 60% de interações profissionais, seguida pela “Escrita”.
Mas no geral de todas as conversas, sejam elas relacionadas com trabalho ou não, a utilização mais usual é a seguinte:
Em primeiro lugar, orientação prática (como planear viagens, receitas, conselhos de compra ou bricolage) com 30% , seguido de Escrita com 26% e procura de informação com 18%.
Curiosamente, a faixa etária dos 25 aos 34 anos consolidou-se como o grupo demográfico mais ativo, ultrapassando os jovens adultos (18-24), o que pode sugerir que a ferramenta tornou-se mais utilitária para a gestão da vida adulta e não apenas para fins académicos ou de novidade tecnológica.
Valor
Para os profissionais de marketing, estes dados sinalizam uma mudança no comportamento do consumidor de 2024 para 2025. O ChatGPT deixou de ser apenas uma ferramenta de produtividade B2B para se tornar um consultor pessoal B2C.
Questão
Miguel e Fred o que podem fazer os marketers com esta informação?
Signals data | OpenAI | OpenAI
https://www.anthropic.com/research/AI-fluency-index
FRED
Tema: Preferes… Inteligência Artificial em modo passageiro ou ao volante?
Há uma ideia a circular no marketing – e noutros lados também, que pinta a Inteligência Artificial como sinónimo automático de “upgrade”, de melhoria instantânea, tipo mouse de chocolate de pacote de supermercado.
Como se bastasse colar a sigla na caixa para o cérebro do consumidor responder: “sim, claro, levo já dois”.
E falo disto porque esta semana apareceram dois sinais de realidade que merecem atenção.
O primeiro vem de um estudo da Circana (Connected Intelligence), nos Estados Unidos.
86% dos adultos sabem que os dispositivos já têm funções de IA, mas praticamente metade, diz que não estar interessada em usar IA no smartphone ou noutros equipamentos.
A razão dominante não é “não percebo”, nem “tenho medo”.
É mais simples: não precisam.
Dois terços dizem estar satisfeitos com o que já têm; só 15% acham a IA “complicada”.
Pelo caminho, cerca de 60% apontam preocupações de privacidade.
Ou seja: para uma fatia grande do mercado, por enquanto, a IA não é uma proposta de valor.
E, em alguns casos, ainda vem com um “cheiro” a suspeita.
O segundo sinal vem de um sítio inesperado: as escolas.
O New York Times contou a história de uma escola nos EUA que criou uma disciplina de literacia em IA e usou uma metáfora simples: “carta de condução”.
A aula começou com uma pergunta muito boa: a tecnologia está a ser conduzida… ou está a conduzir?
A parte interessante que eu destaco é a seguinte: os alunos compararam momentos em que foram “passageiros” — com o scroll nas feeds das redes sociais e recomendações decidirem por eles — com outros momentos, em que estiveram ao volante: usar um chatbot para verificar contas, testar argumentos, pedir exemplos, validar raciocínios.
O objetivo era pôr ordem: pensamento crítico e interação humana primeiro;
IA como ferramenta, depois.
Quase um “cinto de segurança” mental.
O que estes dois casos podem ter em comum, é que o mercado não está a rejeitar a IA por ignorância.
Está a rejeitar Inteligência Artificial sem utilidade clara, ou seja, aquela receita de IA que chega como “funcionalidade” em vez de chegar como “benefício”.
E, ao mesmo tempo, começa a nascer uma literacia nova: as pessoas (e até as escolas) a aprenderem que não se deve entregar o volante por defeito.
E isto coloca um risco curioso em muitas estratégias: continuar a vender IA como espetáculo quando o consumidor já está na fase do “mostrem-me o que resolve, sem me complicarem a vida”.
A cada nova funcionalidade que aparece com carimbo “AI-powered”, aumenta também a probabilidade de cair em três armadilhas relatadas nos estudos
- Apatia que é a pessoa pensar “não preciso”.
- Desconfiança, ou seja “o que estão a recolher sobre mim?”
- E a rejeição ao preço (quando vier como um extra) que é a pessoa dizer “não me cobrem mais por uma coisa que nem pedi.”
A IA deixa de ser magia e passa a ser… produto. Com trade-offs. Com custos. Com falhas. E com uma pergunta que não perdoa: vale a pena?
A reflexão que deixo, e que fiquei como resumo da leitura dos conteúdos que investiguei é uma base de marketing muito comum e esquecida.
Em vez de “tem Inteligencia Artificial ”, comunicar para quê.
Em vez de “assistente inteligente”, comunicar tempo poupado, erros evitados, tarefas simplificadas.
Em vez de “personalização”, comunicar controlo: o que fica no dispositivo, o que vai para a nuvem, o que se pode desligar.
Em vez de “tem IA”, comunicar para quê.
Hoje já há escovas de dentes a 420€ “com IA” – portanto, se a conversa ficar só na sigla, é fácil cair no ridículo.
Em vez de vender “um assistente inteligente”, vender tempo poupado, erros evitados, tarefas simplificadas.
E, acima de tudo, começar a vender controlo: o que fica no dispositivo, o que vai para a nuvem, o que se pode desligar — e com que impacto.
Dar ao utilizador a sensação — e a realidade — de que não vai em modo passageiro.
Que consegue conduzir: opções claras, configurações simples, e uma promessa honesta de valor.
E para fechar, tratar A IA como um uma boa ferramenta, útil, mas não é protagonista do espetáculo.
PERGUNTA:
Diogo, já te aconteceu o smartphone perguntar se queres usar IA?
Cerca de 60% apontam preocupações de privacidade.
35% dizem que “não precisam” de IA no smartphone, que benefício concreto falta ser comunicado – ou falta existir?
Fontes:
https://www.worten.pt/produtos/escova-dentes-eletrica-oral-b-io-10-preto-1-unidade-7804881
https://tek.sapo.pt/mobile/apps/artigos/um-terco-dos-utilizadores-nao-querem-funcoes-de-ia-no-smartphone
https://www.nytimes.com/2026/02/23/technology/ai-literacy-newark-school-chatbots.html
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
