Do Google Search ao Google que procura por nós – e414s01
Neste episódio o Frederico traz o tema sobre passar do Google Search ao Google que procura por nós.
Episódio de 1/10/2026
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[FRED]
Quando uma pessoa precisa de alguma coisa.
Vai ao Google.
Pesquisa.
Compara.
Clica.
E nós, marketers, fazemos tudo o que conseguimos para estar presentes naquele preciso momento.
SEO, Google Ads, conteúdos, Google Business Profile… construímos uma indústria inteira à volta desse pequeno gesto: alguém escrever uma pesquisa.
A novidade é que a Google acaba de introduzir uma mudança que parece pequena, mas pode mexer bastante com esta lógica.
O AI Mode está a disponibilizar globalmente uma funcionalidade de monitorização contínua de informação.
Em vez de eu pesquisar todos os dias “baixou o preço desta televisão?”, posso dizer uma vez:
“Avisa-me quando baixar dos 700 euros.”
Ou:
“Quero saber quando abrir um restaurante japonês novo perto de mim.”
“Diz-me quando houver bilhetes para este concerto.”
“Avise-me quando este produto voltar a estar em stock.”
E acabou.
Eu deixo de pesquisar.
O Google passa a fazê-lo por mim, continuamente, através de sites, fóruns, redes sociais, fontes em tempo real e do seu Shopping Graph, que inclui mais de 60 mil milhões de produtos.
É quase como passar de uma pesquisa para uma subscrição de intenção.
E isto, para marketing, é bastante relevante.
Porque durante anos lutámos para estar presentes quando o consumidor procurava.
É uma segunda notícia interessante.
No marketing local, o Google está a insistir cada vez mais na qualidade dos dados: categorias, serviços, horários, menus, preços, disponibilidade, inventário, avaliações e informação específica de cada localização. Uma marca pode ter uma presença nacional fantástica e, ainda assim, a IA não conseguir perceber se a loja de Coimbra está aberta domingo, tem aquele produto e permite marcação às 11h30. Search Engine Journal
Antes, informação desatualizada podia custar uma posição no Google.
Agora pode significar simplesmente não entrar na decisão do agente.
Ora bem. Temos então um problema delicioso para qualquer departamento de marketing:
como é que medimos isto?
O Google já começou a mostrar no Search Console impressões obtidas nas suas experiências de IA. O problema é que visibilidade não significa necessariamente clique, e muito menos significa negócio.
Podemos ter milhares de impressões em respostas de IA e celebrar com entusiasmo numa apresentação com 37 slides.
Depois alguém da gestão pergunta:
“E vendas?”
E a sala fica ligeiramente menos festiva.
É precisamente por isso que algumas das propostas mais interessantes que começam a surgir tentam cruzar a visibilidade em IA com valor comercial, dependência do tráfego orgânico e capacidade de a marca trazer pessoas diretamente até si.
Agora pensemos em conjunto: se a própria pesquisa passa a monitorizar, comparar e selecionar automaticamente, o trabalho do marketer também sobe um nível.
Uma investigação associada à Harvard Business School encontrou uma queda de 13% nas ofertas de emprego de ocupações muito baseadas em tarefas estruturadas e repetitivas, enquanto as profissões com maior componente analítica, técnica ou criativa — onde a IA pode funcionar como complemento — cresceram 20% no período estudado nos Estados Unidos. Harvard Business School
Não significa que amanhã desapareçam os gestores de SEO ou paid media.
Significa algo talvez mais desconfortável que preciso de perguntar ao nosso ilustre co-apresentador deste podcast:
saber executar começa a valer menos? Será que Saber decidir o que executar, com que dados, com que regras e como provar o resultado começa a valer mais?
Agora podemos estar a entrar numa fase em que o consumidor deixa parte da pesquisa entregue a agentes que monitorizam o mercado permanentemente.
E nesse mundo não basta aparecer.
É preciso estar atualizado, ser compreensível para a máquina, ser suficientemente relevante para ser escolhido — e depois conseguir provar que essa visibilidade criou algum valor para o negócio.
Para debate,
- Se o consumidor deixar de pesquisar repetidamente e delegar essa tarefa a agentes, continuamos a fazer marketing para pessoas — ou começamos também a fazer marketing para as máquinas que filtram opções por elas?
- Se cada vez mais decisões acontecerem sem visita ao site, até que ponto cliques e tráfego continuam a ser boas métricas para avaliar marketing digital?
- Quando a execução passa progressivamente para a IA, qual passa a ser a verdadeira competência diferenciadora de um profissional de marketing: criatividade, julgamento ou capacidade de provar impacto no negócio?
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
