Como está a contratação de juniores a ser influenciada pela IA? – e393s01
Neste episódio falamos sobre as dificuldades dos juniores encontrarem trabalho neste mundo com IA.
Episódio de 31/07/2026
Grupo de WhatsApp: https://w.marketingporidiotas.pt
[FRED]
O mercado de trabalho está em “coma induzido” – e os juniores podem ser os primeiros a pagar
Esta semana, uma pergunta lançada pelo Tiago no grupo do Podcast Marketing por Idiotas ficou-me na cabeça: o que estamos a notar na oferta de emprego em marketing?
A resposta mais votada foi “estagnação”. Depois surgiram relatos que ajudam a dar corpo ao número: empresas à espera para perceber o que a Inteligência Artificial realmente permite fazer, vagas que acumulam cinco funções por um salário pouco competitivo e uma procura crescente por perfis seniores capazes de juntar estratégia, dados, processos e tecnologia.
Há quem considere que o mercado parece estar numa espécie de “coma induzido”.
Antes de contratar, muitas empresas estão a fazer uma pausa: “vamos ver se a IA resolve”.
Entretanto, quem fica assume mais tarefas e o velho one-man show ganha um significado novo.
Uma conversa num grupo de WhatsApp não é um estudo científico.
Mas pode ser um bom ponto de partida para procurar sinais.
E, neste caso, há sinais que merecem atenção.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, tem traçado um dos cenários mais duros.
A sua tese é que podemos assistir a um desacoplamento pouco habitual: a economia cresce depressa, a produtividade dispara, as empresas produzem mais – mas precisam de menos pessoas para o fazer. Chegou a admitir que metade das funções administrativas e intelectuais de entrada pode ser afetada num horizonte de um a cinco anos.
Não significa que amanhã desapareça metade dos empregos.
Significa que a relação histórica entre crescimento e contratação pode estar a enfraquecer. Uma consultora que conquistava mais 25% de clientes contratava mais consultores. Agora pode tentar absorver esse crescimento com agentes, automação e uma equipa mais pequena.
O problema começa precisamente à entrada.
Um estudo de Stanford, baseado em dados administrativos de salários, chegou a uma conclusão inquietante: trabalhadores entre os 22 e os 25 anos, nas profissões mais expostas à IA, registaram uma redução relativa de 16% no emprego. Entre trabalhadores mais experientes nas mesmas ocupações, o emprego manteve-se estável ou continuou a crescer.
Isto ajuda a perceber o verdadeiro risco. Talvez a IA ainda não esteja a provocar um “banho de sangue” de despedimentos. Pode estar a fazer algo mais silencioso: fechar a porta de entrada.
Uma empresa não precisa de substituir o analista júnior que já tem. Basta não contratar os próximos dois. Não precisa de despedir o redator. Basta pedir ao perfil sénior que produza mais com IA. Não precisa de eliminar o assistente de marketing. Basta transformar a vaga numa combinação improvável de conteúdo, design, anúncios, automação, CRM e análise.
As funções de entrada servem para aprender linguagem profissional, observar decisões, cometer erros com supervisão e construir experiência. Se as empresas automatizarem os degraus inferiores da escada, podem poupar agora e descobrir mais tarde que deixaram de formar as pessoas que deveriam ocupar os lugares seniores.
Nada disto prova que a IA seja a única responsável. Taxas de juro, guerras, e os efeitos agregados continuam limitados. Os dados exigem prudência.
No marketing, saber “usar o ChatGPT” depressa deixará de ser diferenciador.
O valor estará em compreender o negócio, formular o problema certo, integrar dados, desenhar processos e perceber quando a resposta da máquina está errada.
O mercado não está parado. O que eu observo é que está a decidir, que trabalho ainda quer pagar a humanos.
Pergunta: Como explicamos que tantas empresas portuguesas digam que não encontram talento, enquanto tantos jovens dizem que não conseguem encontrar uma primeira oportunidade digna desse nome?
Pergunta: Uma empresa tem alguma responsabilidade em formar profissionais juniores ou deve simplesmente contratar a pessoa mais produtiva que a tecnologia lhe permita pagar?
Sobre o Podcast Marketing por Idiotas
O podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.
O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

Os Idiotas
Frederico Carvalho
Formador e consultor de marketing digital
Miguel Rão Vieira
CEO @ pkina.com / funis.pt
Diogo Abrantes da Silva
Freelancer SEO, SEA, CRO e Web Analytics
