As empresas e a “trampa” por IA e a desigualdade mundial da IA – e294s01

As empresas e a “trampa” por IA e a desigualdade mundial da IA – e294s01

Episódio 294
45:13

Esta semana no episódio 294 falamos sobre as empresas e a “trampa” por IA ou AI Slop e a desigualdade mundial da IA.

 

Episódio de 27/06/2025

 

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DIOGO

Esta semana trago o AI slop, ou em português trampa de IA ou porcaria de IA.

 

Sabes o que é Fred?

 

Então o “AI slop” é o novo spam da era da inteligência artificial. Ou seja, é conteúdo gerado por inteligência artificial em massa, que são sobretudo imagens ou vídeos, criados de forma barata, rápida, com o único objetivo de atrair cliques, visualizações e interações sem valor real, contexto ou veracidade.

 

Este foi o tópico do último episódio do last week tonight com o John Oliver e queria falar um pouco sobre isto e qual o papel das empresas.

 

Então um exemplo de AI slop foi aquele vídeo viral do Papa Francisco a voar no céu com Jesus Cristo após a morte do papa que obteve mais de 25 milhões de visualizações só no TikTok e não contando com todas as outras contas que fizeram o download do vídeo e republicaram por outros canais, mas estimo que tenha chegado a mais de 50 milhões de visualizações.

 

Jesus and Pope Francis: Miracles in Heaven | TikTok

 

Ou vídeos mais realistas e com contextos alterados, como vídeos mais recentes de explosões que são atribuídos as explosões causadas supostamente no Irão ou na Ucrânia, que são igualmente gerados com IA mas os criadores adicionam-lhes falsos contextos. 

 

E penso que já todos nós vimos exemplos deste tipo de conteúdo de uma forma ou outra e no programa o John Oliver apresenta vários casos aos quais este tipo de conteúdo possa não ser benéfico como o facto de encher os feeds de possível desinformação, roubo de trabalhos artísticos no qual a IA se baseia, ou mesmo o problema que é identificado no Pinterest aonde grande parte dos posts hoje são gerados por IA e não se consegue distinguir o que poderá ser real.

 

E o Fred agora questiona e bem:

 

“Mas ò Diogo, o que é que isto tem a haver com as empresas?” 

 

Boa, questão Fred. É que não sei se têm notado, mas cada vez mais empresas estão a usar também a IA para gerar conteúdos. Existem imensas imagens criadas já com IA nos posts de várias marcas nas redes sociais principalmente quando em Abril foi o Dia das mentiras onde a IA foi rainha. Onde, por exemplo, a sagres criou uma cerveja a temperatura ambiente e a imagem parece ser inteiramente criada por IA e não o é identificado. Mas quem diz a Sagres diz muitos outras contas de Social media que têm a pressão constante de criar conteúdo e que vão criar “trampa com IA” como o John oliver o chamou mais tarde ou mais cedo.

 

A questão que tenho para ti é como é que as empresas evitam cair nesta criação de trampa por IA? 

 

Questão bónus Miguel: há uma diferença entre trampa de IA e posts que são uma trampa?

 

 

 

 FRED

Já tentaram ver um vídeo em 4K com internet de aldeia? É frustrante, lento e dá vontade de atirar o router pela janela. 

Bem, é mais ou menos isso que está a acontecer com a inteligência artificial no mundo.

Enquanto alguns países têm fibra dedicada, datacenters de última geração e chips topo de gama, outros, como o nosso, ainda se desenrascam com o que têm à mão – e muitas vezes, não chega.

 

Vamos ao cenário atual dos chips e do ouro do Século XXI

Em 2012, 33% da população mundial tinha acesso à internet; hoje, em 2025, são 68%.  União Internacional de Telecomunicações.

Nesta jornada, se o petróleo foi o combustível do século XX, os chips de Inteligência Artificial parecem ser o ouro do século XXI.

Apenas 32 países, cerca de 16% das nações, têm instalações com “poder computacional”, e poucos têm centros de dados especializados em IA. 

  • Empresas americanas e chinesas operam mais de 90% dos datacenters. Entre as maiores, destacam-se a Amazon, Google e Microsoft (EUA), e a Tencent, Alibaba e Huawei (China). Na Europa, temos alguma representatividade com empresas como a Exoscale ou a Hetzner.


O poder computacional da IA é tão crucial que os componentes dos datacenters, como os microchips, tornaram-se parte central das políticas externas e comerciais da China e dos Estados Unidos.

É por isso importante perceber o investimento massivo e as disparidades existentes.

Nos Estados Unidos, a Amazon, Microsoft, Google, Meta e OpenAI prometeram investir mais de 300 mil milhões de dólares este ano, grande parte em infraestrutura de IA. Este valor corresponde a todo o orçamento nacional do Canadá. 

Na semana passada, Sam Altman inaugurou a primeira pedra do datacenter mais poderoso do mundo, estimado em US$ 60 mil milhões , maior que o Central Park de Nova Iorque, é metade do Parque das Nações, e com energia própria a gás natural. 

Ou seja, há quem treine modelos de IA de última geração, e há quem só consiga fazer refresh à newsletter da OpenAI.

 

Por fim, é importante falar do Impacto para Portugal e outros países, no conceito de soberania digital

Porque isto vai muito além da tecnologia, é uma questão independência estratégica e competitividade económica. 

Sem acesso local a poder computacional, muitos países – e muitas empresas – ficam reféns de infraestruturas que não controlam. 

E isso, inevitavelmente, tem um preço: mais custos, mais atrasos, menos margem de decisão e uma crescente dependência de quem tem os chips e dita as regras.

Ontem partilhei uma notícia do New York Times, no New York times, a propósito do caso recente caso da Microsoft. Estamos em 2025, e por ordem do governo dos EUA, suspenderam o email de um procurador do Tribunal Penal Internacional. Reparem…bastou um decreto presidencial para desligar um processo judicial sensível.

Outro exemplo diferente, uma startup fundada por ex-engenheiro da Google, chamada Qhala, no Quénia, que, sem acesso a servidores para treinar um modelo de IA em línguas africanas, MAS …tem de trabalhar de madrugada para usar os datacenters estrangeiros quando há menos tráfego.

Basta uma sanção, um novo regulamento ou uma alteração discreta nos termos de serviço e pode alterar custos ou modelo de negócio.

Para quem não sabe, partilho outro exemplo é o CLOUD Act: empresas que utilizam serviços de cloud nos Estados Unidos, ficam sujeitas a esta legislação, que permite às autoridades norte-americanas aceder a dados armazenados em qualquer servidor global gerido por empresas americanas. crossborderdataforum.org


Ou seja, mesmo que os dados estejam em Lisboa, podem ser requisitados por Washington.

Portanto, a reflexão para Marcas e Negócios, especialmente para quem lidera equipas, marcas ou negócios, é a seguinte: até que ponto estamos realmente no controlo da nossa infraestrutura digital?


Pergunta: Na tua experiência @Diogo, com analytics e SEO, já sentiste limitações concretas por depender de servidores fora da Europa – seja em velocidade, privacidade ou compliance

 

Ou, como vês a concentração de poder computacional em grandes plataformas a afetar a neutralidade dos dados e dos algoritmos que usamos nas decisões de marketing digital?

 

Sobre o Podcast Marketing por Idiotas

podcast Marketing por Idiotas é um podcast sobre marketing em Portugal. Neste podcast semanal falamos sobre notícias, irritações e inquietações sobre marketing digital e analógico.

O podcast é apresentado pelos comentadores com lugar cativo o freelancer de marketing digital para ONGs Diogo Abrantes da Silva, o formador e consultor Frederico Carvalho e o CEO da pkina.com e funis.pt Miguel Rão Vieira.

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